Ontem, depois de 27 anos de vida, fui, junto com a Letícia, vítima da violência/criminalidade urbana. Sim, fomos assaltados por volta das 19e30h ali atrás do colégio rosário em porto alegre, quando voltávamos de uma banca onde comprei uma revista. Estávamos completamente distraídos, caminhando como patos e com o pensamento distante. Dois caras chegaram pela nossas costas e um deles colocou a mão no meu ombro e disse "não corre que vai ser pior..eh". minha primeira reação foi correr, por que aparentemente eles não tinham nenhuma arma, aí um deles disse para o seu parceiro "passa a faca negão, passa a faca". Certo que se eu estivesse sozinho iria correr, pois a metros dali já havia civilização, mas daí pensei na Letícia; nunca combinamos de fugir se por acaso um dia fossemos assaltados. Parei, e olhei para baixo; isso passou em poucos segundos.
Disseram "só o dinhero, só o dinhero", depois ainda quiseram levar umas roupas da Letícia, que em um ato de bravura pediu-lhes para que não levassem. Robaram nossos telefones celular, uns trinta e poucos pilas meus e uns doze pilas dela. Ladrões burros, não levaram meu cartão alimentação nem meus vales transporte.
Mandaram a gente "ir andando sem olhar pra trás", e fomos. Fiquei com raiva e a Letícia com medo. Depois ela ficou com raiva e eu fiquei tentado entender o que sentir, ou com o que sentir. Pensamos "e se tivéssemos feito tal coisa, ou se eles tivéssem uma arma", e chegamos a conclusão de que não foi tão ruim, dos males o pior, com tanta desgraça que existe por aí.
Depois, numa mesinha de bar, onde encontramos colegas de UFRGS da Letícia, praticamente todos os presentes da mesa contaram algum caso de roubou ou tentativa de. E esse é o lugar aonde a gente vive, um assalto como o nosso se torna cada vez mais normal, ninguém faz nada, a polícia não existe, o governo dá o exemplo, e ficamos assim, sem saber pra onde ir.
Me senti um bobo não por ser roubado, mas por não estar roubando também. Continuamos trabalhando e acordando antes de nosso agrado pra que? Se logo vão estar enfiando a mão no nosso bolso.
O Brasil se divide em os que trabalham e os que roubam. E na real trabalhar cansa pra caramba. Roubar é tão fácil, estamos tão paranóicos com a violência que não precisamos mais de uma arma apontada na direção de nossas cabeças para tremermos de medo.
O crime é civilizado, e as boas maneiras do crime já chegaram as ruas...sei lá...